segunda-feira, 9 de abril de 2012

Espero que algum dia entendas.

Essa era para ser uma carta de amor mas, são apenas pensamentos soltos, que acabei traduzindo em palavras.
Me desculpe, para ser honesto não sei o por que de estar te escrevendo, creio que seja a ultima pessoa com quem eu gostaria de falar e por esse motivo, aqui está a minha carta.
Escrevo essa carta para lembrar de colocar a nossa frase no meu epitáfio, eu sei que é meio egoísta mas gostaria que assim fosse feito; não tenho direito de pedir-te nada e se quiser, não precisa nem tomar conta do meu enterro. Não sei de muita coisa que aconteceu na minha vida, entretanto quero que você se lembre de todas as juras de amor que eu te fiz; de todos os momentos bobos que passamos juntos e de todas as piadas que contávamos e ríamos constantemente. Lembras de como éramos apaixonados? Confesso que nunca esqueci. Antes que você pense que eu estou em busca de perdão para a minha alma, eu não estou; estou escrevendo  para a única pessoa que realmente importou para mim, você. Embora você possa não crer em nenhuma dessas palavras vazias, eu encarecidamente peço que creia; nenhuma significou mais do que você para mim. Poucas pessoas tiveram a sorte de ter o primeiro, e único, amor logo de começo assim; ainda bem que fui sortudo a minha vida toda mas só agora eu percebo isso. Talvez percebi tarde de mais. Meio mórbido ficar lembrando disso não acha? Lembrando que só não demos certo por que eu sempre fui um idiota com você, que eu sempre não te dava o respeito e a atenção merecidas; minha cara, Thaís. Me perdoe pelos meus erros, se eu conseguisse ao menos viver um pouco mais ao seu lado, provaria que eu realmente mudei. Palavras de um homem que está no leito da morte, sempre é mais tocante; concordas? -risos.
Você deve está se perguntando como eu morri. Eu estava em uma fazenda, na divisa entre duas cidades, desculpe não lembrar o nome das cidades; minha memória só funciona para coisas importantes, para você. Estava na chácara de um amigo meu, o José Roberto, aquele que sempre odiastes, estava deitado na rede como faço de costume após o meu lanche da tarde; já estava quase a anoitecer quando três ladrões invadiram a minha fazenda; eles entraram quebrando tudo dentro da casa do José, fiquei com dó dele pelo preço dos móveis. -Mais risos- Nunca tive um senso de humor exemplar, né?  Um dos capangas, chamado pelos outros de Celestino, colocou um revólver antigo na minha cara e começou a perguntar onde ficava o cofre que tinha os documentos da fazenda. Eu respondi na maior calma falando que só estava alí por um tempo. Eu confesso que meu azar e sorte foi que o José, que tinha recem acabado a faculdade de veterinária, olha que sorte, estava com o seu carro quebrado e um polícial deu carona até a sua fazenda. Quando o José entrou que ouviu os gritos da cozinheira, Ele chamou o polícial que entrou atirando no rapaz que apontava a arma para mim, que má sorte a dele, não? O Celestino tomou um tiro no coração e morreu na hora. Os outros dois capangas me fizeram de refém até o José dá os documentos da fazenda. Assim que eles tiveram os documentos, o Polícial atirou no cidadão que segurava os documentos matando-o também e o que restou com uma colt, deu um tiro nas minhas costas; assim que atirou, saíu correndo para o mato. O José rapidamente tirou a bala, o único problema que o José não conseguio resolver, meu amor, foi a perfuração do meu pulmão, me acarretando esse estado decadente.
Antes que eu não consiga escrever ou que o José me pegue escrevendo; eu peço desculpas por trocar você, meu grande amor, por uma felicidade fútil, que era as saideiras. Sei que não foi a minha melhor decisão, eu sei. Sei de tudo que você falará quando chegar nessa parte. Eu não devia ter vindo para esse interior, entretanto assim fosse a minha sina. Talvez se a minha vida fosse um pouco diferente, eu não tivesse te conhecido e não teria vivido a nossa história, eu sei que é triste ter esse triste fim. Espero que você consiga me desculpar, como na primeira vez que eu pisei no seu pé, enquanto dançávamos uma música bem suave, dançávamos ao som de We can Dance do Bon Jovi, no nosso encontro no ensino médio. Costumo sempre lembrar de você cantando-a; é uma das minhas melhores memórias nossas.
Eu vou ser transferido pro hospital da nossa cidade, o José vai te ligar quando eu chegar lá; honestamente, eu espero ser capaz de resistir até eu te encontrar. Tô com saudade de ver esses lindos olhos cor-de-mel que você tem. Ah, esses olhos, como eu os amo.
Caso eu não consiga chegar até o hospital com vida, eu só te deixei por que eu escutei sua conversa com a Camille, onde você falava que eu não conseguia te surpreender e te fazer viver grandes emoções, onde você falou que eu era simples de mais. Me senti inútil por não conseguir responder o sentimento que você me passava da mesma maneira; seguido disso, tentei mudar várias vezes, mas todas as vezes que eu tentava você sempre brigava comigo por eu está fazendo algo errado e sempre acabavas chorando. Sempre odiei ver você chorando, principalmente por minha causa. Desisti de mudar para não te machucar e eu tive que abrir mão do meu amor por você, para que você conseguisse viver as suas aventuras que tanto desejavas, mas nunca, repito; nunca, deixei de te amar. Se por acaso você não se lembrar da frase do meu epitáfio coloque esta,será tão boa quanto a que eu gostaria que fosse: Atrás de toda a alegria, há sempre uma tristeza. Nem sempre todo amor é correspondido da mesma maneira.
Não imploro o seu perdão, sou orgulhoso de mais para isso. Só peço que em algum dia, você me entenda.

sexta-feira, 6 de abril de 2012

Until the midnight

Minha sexta feira nunca foi tão tediosa quanto estava sendo esta. O tempo não passava, parecia que estava acorrentado.
Cheguei em casa do trabalho, fui direto tomar um banho quente. Trabalho estressante, mas nada se compara a ter que ficar sozinho, numa sexta a noite. Passei o começo da minha noite vendo televisão, dei um pouco de sorte e assisti um jogo de basquete, vi o time do Flamengo jogar e mais uma vez ganhar; por um momento eu achei que me sentiria mais animado com a vitória do meu time, mas vejo que foi tudo uma ilusão, uma distração do destino. Quando o jogo acabou, eu fiz o meu jantar, algo simples não tava aguentando sentir o cheiro da comida, não conseguia parar de pensar no meu trabalho, investigador policial, após comer um arroz com carne, fui pra frente do sofá, tentar me distrair um pouco com a televisão. Embora eu tentasse, não dava. Meu trabalho insistia em vir a tona na minha mente, tudo isso pelo caso tão estranho, um corpo sem sangue; estava todo fatiado, cortando em pedaços precisos, só de lembrar daquela cena, o meu estômago se revira. Mais uma moça que foi morta, esta tinha a idade da minha filha e por causa disso a minha preocupação de pai me fez ficar completamente paranoico, liguei pra Bruna pra saber se tudo estava bem. Ela falou para eu ter cuidado com este criminoso, respondi que é o que posso fazer, é cuidar de mim. Após isso, passamos mais um pouco no telefone e teve que desligar.
Esse psicopata está ficando bastante confiante, está matando muito mais rápido do que o padrão havia apontado. Com esta de hoje, já são 5 mortes. Após essa rápida linha de pensamento, não consegui ficar em casa, voltei pro trabalho, encontrei o mesmo pessoal que deveria está em casa descansando com sua família. Me senti mais confiante ao ver o pessoal trabalhando pra pegar esse bastardo. Começamos a analisar as pistas deixadas por ele, como não havia nenhum DNA, só nos restou seguir o seu padrão feminino: Morenas, alta e de olhos claros, bem sucedidas, perfeccionistas com sua beleza. Procuramos por esse padrão no nosso banco de dados, e vimos que há mais de mil mulheres só nas redondezas. Comecei a tentar traçar pontos em comum com as cinco vítimas, achar o local onde ele acha suas vítimas, tínhamos que agir rápido, tentar captura-lo antes da meia noite, antes d'ele encontrar a sexta vítima. Reunimos as cinco famílias na sala de depoimento, e perguntamos a cada uma das, os locais onde as vítimas costumavam ir regularmente. Como isso não adiantou, Jorge, o garoto da computação fez um mapa que mostrava detalhadamente o percurso do trabalho delas, e no meio dos mapas alternativos, eis que uma cafeteria aparece. Provavelmente deve ser lá que ele escolhe suas vítimas, pensou Pedro, meu parceiro.
Partimos para o café, situado na Avenida 13, de frente a um ponto de ônibus onde a Camila, a segunda vítima,pegava ônibus. Quando chegamos, Eu e o Pedro, fomos diretos ao balconista dá uma descrição psicológica do criminoso, alguém tímido, reservado, frio, calculista, perigoso, sozinho, observador,pessimista; aparentemente ele tem entre 25 e 30 anos, boa aparência e sem empregos. O balconista disse que um cara, mais ou menos similar a descrição, tímido, quieto, reservado. Olhei imediatamente ao Pedro e na mesma hora percebemos que tínhamos achado o nosso suspeito. Perguntei ao balconista se havia como ele descrever o físico do suspeito, assentiu com a cabeça que sim e após quase duas horas, o retrato falado estava pronto. Jogamos as feições dele no nosso computador na central e descobrimos tudo do nosso suspeito, Murilo de Andrade, 28 anos, mora na Rua 115 com a avenida 3, reside com a mãe, Marília de Andrade. Agora que sabemos mais a nossa caçada começava agora.
Saímos da central, com quase 4 viaturas em direção a casa do Murilo. Arrombamos a porta, entramos e encontramos nada. Estava completamente vazia a casa. Pedi pra central enviar um cão farejador, quem sabe o cachorro poderia achar alguma pista; assim que o Don chegou, quase que instantaneamente levou-nos a um rastro deixado pelo Murilo em direção a uma área abandonada no fim da casa, e parece que foi o destino. Quando estávamos indo em direção ao quintal, vem ele saindo, com uma espécie de avental melado de sangue; assim que ele nos avistou, tentou correr e pular o pequeno muro que ficava na parte de traz e por puro reflexo, Pedro, puxou sua colt 45 e deu um tiro na perna do Murilo que imediatamente caiu no chão.
Ao entrarmos no seu esconderijo avistamos quase mais uma vítima. Acho que se não tivéssemos chegado rápido aqui, seria uma sexta vítima. Enquanto o Murilo estava no chão, Garcia, um dos oficiais que veio nos dá suporte fez a sua apreensão.