sábado, 11 de fevereiro de 2012

Meu último sorriso

Levantei no susto, pensei durante uma fração de segundos que havia perdido a hora do julgamento. Me arrumei totalmente apressado, peguei o meu terno alugado um dia antes, que era especial para a ocasião, vesti-o quase que correndo; tomei um copo de limonada de que havia sido feita ontem e saí correndo para assistir a condenação do psicopata que acabou com a minha família, que durante um assalto, tirou de mim a minha esposa e filha.
Quando chego na assembléia, sinto uma enorme vontade de perder a cabeça, de ir na cela do bastardo e fazer justiça com as minhas próprias mãos, quase cedi a esse impulso raivoso que tomou conta de mim. Um pouco antes de entrar na câmara, onde o julgamento ocorrerá, eu fiquei frente a frente com Ele, corri sedendo a minha ira e com toda a força que em mim habitava, acertei dois socos e como um enorme gesto de bondade do policial, ele permitiu que eu o chutasse um pouco; antes que alguém percebesse a agressão, o policial afastou-me dizendo que já havia sido o suficiente para abaixar a minha raiva, mas foi exatamente o contrário, minha raiva só aumentou e aumentou.
Assim que o julgamento começou o meu vizinho, Tom, Tomas, sentou do meu lado para me dá forças nesse momento tenebroso da minha vida onde parecia que não me restava nada além de raiva, ódio e a loucura. A presença do Tom, foi algo bem estranho, ele me transmitia uma paz tão sobrenatural. Quando o julgamento começou, o infeliz entrou olhou fixamente para mim e com uma cara de prazer, mordeu os lábios, falava como havia feito tudo olhando pra mim; como quem diz: Amei matar sua esposa e me diverti muito caçando sua filha.
O juiz começou a narrar a sentença do réu Carlos Machado de França, por duplo homicídio. Pensei que por um instante a minha alegria estava começando a voltar, cheguei até comentar com isso com o Tom, que só conseguiria viver após a morte Dele. Entretanto, o imparcial juiz não deu a sentença de morte, jogou-o uma condenação de trinta anos no presídio de segurança máxima, Mon Santana. Após o dia do julgamento, o infausto foi transferido para a prisão. 
Cinco dias após o julgamento do assassino, o mesmo juiz estava realizando outro julgamento, dessa vez, o meu. Cometi um crime proposital e por ser réu primário, foi-me perguntado como eu me considerava, respondi: Culpado, Meritíssimo. a pergunta seguinte foi: Há algum canto que você desejaria ir cumprir a sua pena? Respondi: Mon Santana, Meritíssimo. Pois bem, condeno-te, réu: José Henrique Dias, por tentativa de duplo homicídio e pegarás 10 anos. No fim da sentença, agradeci. Na manhã seguinte fui deportado pro presídio.
Ao chegar lá, comecei a colocar o meu plano em prática. Fiz amizade com pessoas certas, para evitar confusão. Mantive minha existência em segredo para que não houvesse um espanto desnecessário. Após quase um mês de prisão, foi quando o infeliz soube da minha existência. Já havia planejado tudo, comecei uma briga com o Carlos, o desgraçado que acabou com a minha família. espanquei até os guardas chegarem e me separarem dele. Ambos pegamos dois meses de solitária pela briga, e um aumento da pena em dois anos. Pouco tempo que saímos da solitária, já parti para a próxima fase do plano, assassinar o assassino da minha esposa e filha. Falei com os meus contatos na prisão e arrumei tudo, peguei a faca com um encarregado na cozinha, que ficaria de plantão para o café da manhã.
Na tarde seguinte, estávamos todos no pátio, como de costume toda quarta haveria um banho de sol. Fizeram aquela rodinha discretamente perto de um aparelho em que o Carlos estava. Enquanto eu chegava com o propósito de dá fim a sua vida. Enfiei oito vezes a faca nele e em cada perfuração, uma felicidade tomava conta de mim; na última facada, minha raiva estava saindo de mim e quando o infeliz deu o seu último suspiro, dei o meu último sorriso.

Um comentário:

Gabriele Santos disse...

adorei o final.
ficou perfeita a última frase.
O cono ficou muito bom mesmo.
parabéns.